Ornamentais Plantas medicinais

Argyreia nervosa: saiba mais sobre a trepadeira elefante

Argyreia nervosa também chamada de trepadeira elefante é uma planta de ciclo perene pertencente à família das Convolvulaceae. Nativa da Índia, foi introduzida em inúmeras áreas ao redor do mundo, incluindo Havaí, África e o Caribe.

Embora possa ser invasiva em alguns lugares, muitas vezes é valorizada por seu valor estético e medicinal. Sua textura é semilenhosa, com raízes profundas e crescimento vigoroso, pode atingir até 12 metros de altura.

Sua ramagem é longa, alcançando cerca de 9 metros. Os ramos são recobertos por uma fina lanugem, assim como a página inferior das folhas. Esta lanugem confere um toque aveludado e uma tonalidade prateada à planta.

As folhas da trepadeira-elefante são grandes e cordiformes (em forma de coração), de cor verde-escura a acinzentada. Podem chegar a medir 40 centímetros de comprimento por 40 centímetros de largura. Suas flores são campanuladas, rosa-arroxeadas e muito vistosas. A floração ocorre na primavera e verão.

Os frutos surgem no outono e são decorativos, lenhosos, marrons e em conjunto com as sépalas, também lenhosas, conhecidas como rosas-de-madeira. As sementes são numerosas, amarronzadas e contêm substâncias alucinógenas e antiinflamatórias.

Paisagismo

No paisagismo, a trepadeira elefante é indicada para cobrir estruturas médias e grandes, tais como pórticos, pérgolas e caramanchões. Nestes suportes ela oferece uma sombra fresca e agradável com suas folhas enormes, bem ao estilo tropical. Também é apropriada para cercas e muros.

Por ter seu porte naturalmente avantajado, não é indicada para vasos ou jardineiras, sob pena de se tornar raquítica e fraca. Devido à facilidade de propagação, esta espécie pode se tornar invasiva.

Cultivo

Onde as temperaturas caem abaixo de 13°C, a Argyreia nervosa deve ser cultivada em uma estufa quente. Em outras regiões, pode ser encontrada em arbustos, pérgolas, paredes ou árvores.

Muitas vezes é cultivado profissionalmente em um composto para vasos à base de argila, em plena luz e regado livremente da primavera ao outono, com um fertilizante líquido balanceado aplicado mensalmente e água reduzida no inverno.

Seu cultivo deve ser sob sol pleno, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e periodicamente irrigado. É uma planta que gosta muito do nosso clima tropical, crescendo preferencialmente em locais onde não haja nem muito sol, nem muita sombra. Não tolera frio intenso ou geadas.

 primeira florada se dá entre 1,5 e 2 anos. Possui uma flor fracamente rosada por fora e arroxeada por dentro. As flores são completas, ou seja, apresentam órgãos sexuais masculinos (anteras) e femininos (estigmas), portanto elas se auto-polinizam, o que torna possível a produção de sementes.

A flor dura no máximo 48 horas, caindo depois desse tempo. O processo de fecundação e formação das sementes é iniciado logo em seguida. O cálice primeiro se fecha, depois começa a “engordar” dando origem ao fruto.

Esse fruto cresce durante 2 ou 3 meses, enquanto as sementes — peludas e de cor marrom — se formam dentro de várias cápsulas. Então começam a secar, e o que antes eram as sépalas da flor, formam as “sépalas” do fruto, dessa vez secas e duras como o próprio fruto. Cada fruto gera 4 sementes.

A planta produz entre 5 a 15 flores por nó exposto, gerando 5 a 15 frutos por nó, ou seja, 20 a 60 sementes. Os nós que ficam na face exterior da planta e os que ficam escondidos no emaranhado de folhas e galhos não desenvolvem sementes. Portanto, é importante para produção de sementes esticar a planta em algum suporte que a faça ficar com a maior parte exposta possível.

Multiplica-se facilmente por sementes ou por estaquia. A dormência das sementes pode ser quebrada deixando-as de molho em água por 12 horas antes do plantio. Germina em cerca de 30 dias.

Uso medicinal

Suas sementes são conhecidas por suas poderosas propriedades enteogênicas, maiores ou semelhantes às da Ipomoea, com usuários relatando experiências psicodélicas e espirituais significativas.

As sementes da trepadeira elefante, utilizada na medicina ayurvédica, contêm vários alcalóides ergolina, como a ergina. Um estudo relatou estereoisômeros de ergina encontrados nas sementes em uma concentração de 0,325% do peso seco. Um estudo mais recente relatou a presença de ergometrina, lisergol, ácido lisérgico e outros alcalóides que contribuem para seus efeitos farmacológicos .

A raiz é considerada um remédio para os nervos e o cérebro, e é ingerida como um tônico de rejuvenescimento e afrodisíaco para aumentar a inteligência.

Certas fontes afirmam que, de acordo com “várias histórias orais”, os xamãs Huna usavam as sementes em pó para preparar uma bebida enteogênica (que altera a consciência e a percepção).

As sementes de Argyreia nervosa podem produzir substâncias psicoativas, mas ainda não foi demonstrado satisfatoriamente que seu uso como enteógeno é anterior aos vários movimentos contraculturais da década de 1960.

No entanto, não se pode descartar que a planta possa ter sido utilizada como um tóxico na Índia em algum momento no passado, embora as evidências disso (se houver) ainda não tenham surgido.

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