Árvores Ornamentais Plantas

Bonsai: A História Antiga e o Significado desta Árvore em Miniatura

As árvores de bonsai têm uma forte associação com o Japão. Mas você sabia que a arte de cultivar árvores em miniatura se originou na China antiga? Por volta de 700 d.C., os chineses estavam usando técnicas especiais para cultivar árvores anãs em contêineres. A prática ficou conhecida como “pun-sai” (ou “penzai”) e originalmente era cultivada apenas pela elite da sociedade. Não foi até o período Kamakura (1185 a 1333) que as árvores em miniatura dentro de vasos foram introduzidas no Japão. E hoje, até mesmo os amantes da natureza ocidentais cultivam e cuidam das árvores bonsai como obras de arte vivas.

Continue lendo para aprender a história e o significado dessas árvores especiais.

Um bonsai de olmo chinês (Ulmus parvifolia), coleção chinesa 111, em exibição no Museu Nacional de Bonsai e Penjing no Arboreto Nacional dos Estados Unidos. (Foto: WikimediaCommons (CC BY-SA 3.0))

Qual é o significado do termo bonsai ?

Bonsai é uma palavra japonesa que significa “árvore em uma panela”. No entanto, o termo vem originalmente da palavra chinesa “pun-sai” ou “penjing”. Em chinês, “pen” significa panela e “jing” significa cenário ou paisagem.

As árvores de bonsai são uma representação em miniatura da natureza, plantadas em recipientes decorativos.

O que a árvore bonsai simboliza?

Quando os bonsai foram introduzidos na China, há mais de 1.300 anos, eles eram vistos como um símbolo de status entre a elite da sociedade. Hoje, no entanto, as árvores bonsai são apreciadas por pessoas em todo o mundo.

Dependendo da cultura ou crenças de uma pessoa, as árvores bonsai são vistas como símbolos de harmonia, equilíbrio, paciência ou até sorte. Muitas pessoas simplesmente usam os vasos de árvores como ornamentos vivos para design de interiores, enquanto outros – os zen-budistas, por exemplo – acreditam que o bonsai é um objeto de meditação ou contemplação.

A História do Bonsai na China

Mural de Penzai na tumba do Príncipe Zhanghuai da Dinastia Tang, 706 DC (Foto: Domínio Público da WikimediaCommons 

Na China antiga, os primeiros exploradores foram provavelmente os primeiros a descobrir árvores em miniatura que cresciam no alto das montanhas. Este clima apresentava condições adversas onde o crescimento era difícil, então as apreciadas árvores anãs tinham uma aparência particularmente retorcida. Já no século 4 a.C, os taoístas acreditavam que recriar aspectos da natureza em miniatura permitia que as pessoas tivessem acesso às suas propriedades mágicas. Portanto, o penjing nasceu. Isso envolveu a criação de paisagens em miniatura expostas em cima de louça de barro.

Em uma tentativa de recriar as árvores naturais que encontraram nas montanhas, os chineses desenvolveram técnicas de poda e amarração que deram às plantas formas retorcidas e uma aparência envelhecida. Alguns historiadores acreditam que os taoístas moldaram os galhos e troncos das árvores em miniatura para se assemelharem aos animais do folclore chinês, como dragões e serpentes. Outros acreditam que as formações distorcidas das plantas seguem as posições de ioga.

A primeira evidência pictórica das árvores artisticamente formadas em miniatura apareceu em 706 d.C na tumba do Príncipe Zhang Huai. Ao entrar, os arqueólogos descobriram murais retratando servas carregando penjing, que continham árvores e pedras em miniatura.

A História do Bonsai no Japão

Impressão de xilogravura japonesa por Keisai Eisen, 1848 (Foto: WikimediaCommons (CC0 1.0))

Sob o governo da Dinastia Hang, monges chineses migraram para o Japão e outras partes da Ásia – levando consigo exemplos de penzai. Os monges zen-budistas japoneses aprenderam as técnicas necessárias para fazer as árvores em miniatura, que mais tarde ficaram conhecidas como bonsai. Os japoneses desenvolveram seus próprios métodos para criar árvores anãs, resultando em estilos diferentes em comparação com os penzai da China.

As árvores de bonsai japonesas costumavam ter cerca de trinta a sessenta centímetros de altura e exigiam muitos anos de cuidados especializados. Os galhos, troncos e raízes obtiveram sua aparência retorcida mantendo a forma desejada – usando bambu e arame – conforme a árvore crescia. E para atingir uma forma particular, os artistas frequentemente enxertavam novos ramos nos já existentes. Algumas espécies até deram frutos, enquanto outras floresceram folhas e flores. No século 14, as árvores de bonsai eram consideradas uma forma de arte altamente respeitada. As plantas apreciadas logo passaram dos mosteiros às casas da realeza. Assim como na China, as árvores se tornaram símbolos de status e honra.

No início de 1600, o bonsai japonês evoluiu novamente. Os artistas habilidosos começaram a usar técnicas de poda especiais para remover tudo, exceto partes essenciais das plantas. Isso criou um visual minimalista, que reflete a filosofia japonesa e a crença de que “menos é mais”. Durante a época medieval (1185 a 1603), as árvores de bonsai tornaram-se disponíveis para pessoas de todas as classes sociais. O aumento da demanda significou que mais pessoas tiveram que aprender a arte do bonsai, e logo, árvores em miniatura eram comuns em quase todas as casas japonesas.

A História do Bonsai no Brasil

Imagem: iStock.com

No Brasil, o bonsai surgiu com a vinda dos imigrantes japoneses no inicio do século, ficando por muitos anos restrito aos descendentes o exercício desta arte.

A história segundo a Sociedade de Estudos da Tradição Oriental e segundo Cláudio Seto – São pouca as referências sobre bonsai antigos no Brasil. Conforme artigo publicado em japonês na revista Burajru no Nogyô (agricultura Brasileira), edição comemorativa dos 20 anos da colonia Itacoloni (Promissão – SP), impresso em setembro de 1938, os bonsaístas históricos do Brasil foram: Hadano de Bragança – SP; Miyoshi de SP; parte Seto, Katsuki e Nita de Guaiçara – SP. Cada um deles de sua maneira fez várias experiências estudando a aclimatação de plantas, cujas sementes vieram do Japão. Na década de 1930, a pequena cidade de Guaiçara produziu tantas plantas orientais que se tornou conhecida mais tarde com o slongan de “Berço das plantas”. Grande parte de plantas de origem asiáticas hoje existentes no Brasil, como: pinheiro japonês (akamatsu e kuromatsu), junípero, acer, azaleia, ardísia, piracanta, marlus, glicínia e cerejeira ornamental foram produzidas inicialmente em Guaiçara e espalhados pelo país através de trens puxados por máquinas a vapor, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Katsuki e Nita eram donos de chácaras de mudas de café, árvores frutíferas e plantas ornamentais. Passaram a cultivar sementes de plantas japonesas para atender ao pedido de Noriyasu Seto, um fabricante de sake (vinho de arros) e amante de bonsai. Com o passar do tempo, as duas chácaras (Nita e Katsuki) tornaram-se os maiores viveiros de bonsai do Brasil e a cidade de Guaiçara o centro irradiador dessa arte na colônia japonesa no período anterior a II Guerra Mundial.

Consta que desde 1908 quando chegou ao Brasil a primeira leva de imigrantes japoneses, muitas pessoas com conhecimento do cultivo de bonsai chegaram ao Brasil. Entre eles o monge budista Tomojiro Ikaragui, que teria trazido no navio Kasato Maru, tronco de amoreira, que seria o primeiro bonsai introduzido no Brasil, mas cujo destino ninguém sabia com precisão para que servia, pois infelizmente foi confiscado pelos funcionários da alfândega juntamente com apetrechos para criação do bicho da seda.

Nos anos 30, com a estabilidade financeira alcançada pelos antigos imigrantes à aquisição de propriedades rurais por estes, pela primeiras vez a colônia japonesa despertou á praticar artes de sua terra natal, a partir de Guaiçara ganhavam todo interior de SP, cujas mudas chegaram também as mãos de Hadano (Bragança) e Miyoshi na Capital, que fizeram verdadeiras obras de artes.

Goro Hashimoto foi o primeiro botânico da colônia japonesa a escrever um livro sobre plantas brasileiras. E o primeiro bonsai com planta brasileira (Bougainvillea), foi cultivado pelo jovem Tyotaro Matsui, no início da década de trinta, no Núcleo Aliança (hoje Guaimbê – SP). Desde 1924 quando imigrantes japoneses entraram em Primeira Aliança, para derrubar a mata virgem e preparar o plantio da muda de café, constataram na região, a existência de algumas variedades de bougainvillea. Essas plantas que o povo local chamavam de primavera ou três marias, logo despertou a atenção dos nipônicos, pois vista de longe, a espécie de bráctea cor de rosa lembravam o sakurá (cerejeira) em flor, provocando imensa saudade da terra natal.

Durante a derrubada da mata, Tyotaro Matsui, que aprendeu o cultivo com Seto, foi guardando os troncos com raízes num riacho. Como na época no Brasil não existiam vasos para o bonsai, o moço improvisou para seu uso, latas de querosene cortadas na lateral para os bonsais grandes e latas de marmelada para os bonsais pequenos. As latas de querosene de (20 litros), existiam muito na zona rural, pois a iluminação era à base de lampião de querosene ou lamparinas. É interessante registrar que na época em Guaiçara, os vasos de bonsais de Seto, Nita e Katsui, eram confeccionados em madeira, os vasos de cimento só apareceram nos fins dos anos 40 e início de 50.

Você também pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.